quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O vento sopra e mostra novos horizontes. 
É assim que se vive.

terça-feira, 6 de março de 2012

Pacto autobiográfico

Estudar para seguir carreira acadêmica implica enfrentar de bote um mar profundo, desconhecido e sedutor. Quem não gosta de desafios, desiste das Ciências Sociais na primeira metade do curso. Já quem é movido por desafios, apaixona-se pela área e faz disso um pedaço importante de sua própria vida. Neste dia 6 de março de 2012, fui desafiada em uma disciplina na qual estou como Estagiária Docente: toda a turma registrará suas percepções e experiências diárias, seja isto feito de forma tradicional (diário) ou usual (blog). Não sei como o farei, o que escreverei e nem sei ao certo se continuarei na proposta de fazê-lo em forma de blog. Mas aproveito o momento para resgatar meus dois blogs, há muito abandonados por pura preguiça de ser eu. Vamos ver no que vai dar. Aproveito para registrar meu completo desespero e fascínio diante do programa da disciplina em questão. Diante de um ano decisivo, onde pretendo terminar a dissertação de mestrado e passar em curso de doutorado, percebi que não será simples seguir como aluna-estagiária mesmo que por alguns meses. Mas se ser Cientista Social tem sido nos últimos anos navegar em mar revolto dentro de um bote solitário, nada mais me paraliza. Nem o medo de continuar.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Ela fazia de conta..

[...] fazia de conta que ela era uma mulher azul porque o crepúsculo mais tarde talvez fosse azul, faz de conta que fiava com fios de ouro as sensações, faz de conta que a infância era hoje e prateada de brinquedos, faz de conta que uma veia não se abrira e faz de conta que dela não estava em silêncio alvíssimo escorrendo sangue escarlate, e que ela não estivesse pálida de morte mas isso fazia de conta que estava mesmo de verdade, precisava no meio do faz de conta falar a verdade de pedra opaca para que contrastasse com o faz de conta verde-cintilante, faz de conta que amava e era amada, faz de conta que não precisava morrer de saudade, faz de conta que estava deitada na palma transparente da mão de Deus, não Lóri mas o seu nome secreto que ela por enquanto ainda não podia usufruir, faz de conta que vivia e não que estivesse morrendo pois viver afinal não passava de se aproximar cada vez mais da morte, faz de conta que ela não ficava de braços caídos de perplexidade quando os fios de ouro que fiava se embaraçavam e ela não sabia desfazer o fino fio frio, faz de conta que ela era sábia bastante para desfazer os nós de corda de marinheiro que lhe atavam os pulsos, faz de conta que tinha um cesto de pérolas só para olhar a cor da lua pois ela era lunar, faz de conta que ela fechasse os olhos e seres amados surgissem quando abrisse os olhos úmidos de gratidão, faz de conta que tudo o que tinha não era faz de conta, faz de conta que se descontraía o peito e uma luz douradíssima e leve a guiava por uma floresta de açudes mudos e de tranqüilas mortalidades, faz de conta que ela não era lunar, faz de conta que ela não estava chorando por dentro — pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado; ela saíra agora da voracidade de viver.
- Clarice Lispector - 

Ela fazia de conta que esquecera...

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Pés Cansados

Pés Cansados
Composição: Sandy Leah

Fiz mais do que posso
Fiz mais do que agüento
E a areia dos meus olhos é a mesma
Que acolheu minhas pegadas
Depois de tanto caminhar
Depois de quase desistir
Os mesmos pés cansados voltam pra você.
Pra você.
Eu lutei contra tudo
Eu fugi o que era seguro
Descobri que é possível viver só
Mas num mundo sem verdade.
Depois de tanto caminhar
Depois de quase desistir
Os mesmos pés cansados voltam pra você.
Pra você.
Sem medo de te pertencer.
Voltam pra você.
Depois de tanto caminhar
Depois de quase desistir
Os mesmos pés cansados voltam pra você.
Pra você.
Meus pés cansados de lutar
Meus pés cansados de fugir
Os mesmos pés cansados voltam pra você.
Pra você.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Descobri.

às vezes falta coragem de ser quem sou.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

.

o medo sempre passa... sempre.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Primavera com cara de outono.

Existem datas que marcam as nossas vidas. Não por suas recorrências, mas por seus significados.
um dia desses descobri que nem todas datas comemorativas são festejáveis. Hoje talvez seja uma delas.
Ah... Há exatamente 4 anos, eu estava fritando na cama contando os segundos para correr para um avião. Conferi mil vezes a mala. Escolhi de antemão a maquiagem, as roupas, o sapato. Conferi os documentos, o dinheiro e tudo o mais para uma viagem tranquila. Eu nunca senti tanta vontade de entrar em um avião. A viagem era um segredo de família. Para que contar aos outros o que a louca aqui faria, não é mesmo?
Segui.
Era o rumo mais certo que poderia escolher. O mais iluminado. O mais amoroso da minha vida.
Reencontrei meu amor em nosso primeiro encontro.
Não conhecia a palavra medo. Não imaginaria que existiria a palavra morte.
Nunca consegui vê-lo careca, pálido ou com cicatrizes. Eu enxergava um outro homem.. O homem real...
Eu enxergava o meu amor.
São 4 anos... Anos dóidos. Anos alegres. Anos sadios.
São 4 anos com ele. São 4 anos de amor incondicional, como já dizia o dicionário dele de 1989. Tá... Ele nunca compreendeu que amar significava lembrar a data do dicionário preferido do ser amado.
Meu amor sempre foi culto e o dicionário era seu companheiro inseparável. Como não lembraria, meu querido?
Saudade dói, mas não mata.
Há 4 anos eu fui apresentada também às palavras saudade e morte. Mas isso fica para o mês de junho.
Hoje quero falar do significado do amor.
A gente chama de amor aquele que mata a morte e consegue sobreviver à saudade.
Hoje é nosso aniversário, meu bem. Sinto saudade, mas tenho absoluta certeza de que as nossas linhas paralelas se encontrarão no infinito.

Tua sempre,
Nena.